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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Literal ou simbólico?

Gosto de analisar a maneira pela qual as pessoas interpretam a Bíblia por meio das atitudes de Caim e Abel. O primeiro representa uma visão simbólica do texto bíblico. Em outras palavras: está escrito, mas não quer dizer que foi ou tenha que ser exatamente assim. Já o segundo representa uma visão literal, ou seja, daqueles que simplesmente decidem crer na revelação da forma como está apresentada, mesmo que isso entre em conflito com a visão popular. 
Na história de ambos fica claro o conflito entre a visão literal e a simbólica. Mas esse não é o único debate do gênero em Gênesis. O livro das origens levanta essa discussão nos seus primeiros capítulos. Aliás, um debate que até pouco tempo atrás existia apenas no âmbito da ciência secular, mas agora também agita algumas mentes em nossa igreja. A questão em evidência é: tanto o relato da criação do mundo em seis dias quanto o da origem do pecado são literais ou alegóricos?
Pela ótica de Abel, essa é uma descrição literal. Afinal, está na Bíblia que é a revelação escrita de Deus. Envolve Sua ação sobrenatural, que está fora do alcance de nossa razão. Precisa ser lida e aceita pela fé.
Já, pela visão de Caim, é difícil imaginar uma pessoa culta, inteligente e com visão científica, acreditar que um mundo tão complexo tenha surgido de forma tão simples. Ou mesmo que possa crer em um Deus que expressa Suas grandes ações de forma tão “infantil”. Crer que tudo é fruto de uma evolução natural parece mais lógico, inteligente, científico e politicamente correto do que crer na simples ação sobrenatural de Deus. Afinal, como não crer nisso, uma vez que o tema é apresentado por homens inteligentes e eruditos, enquanto a mensagem da Bíblia parece alcançar pessoas simples e movidas por algo tão inocente chamado fé? Parece mais lógico tentar substituir a ação direta de Deus pela ação humana, apresentando nossa criação como um fenômeno natural, nosso desenvolvimento como um processo evolutivo e nossa sobrevivência como a vitória do mais apto. Esse foi o sacrifício de Caim. Substituiu a palavra de Deus pela visão humana, o literal pelo simbólico.
Como você compreende os primeiros capítulos de Gênesis? Pela ótica de Abel ou de Caim? Parece que, quanto mais “evoluídos” estão os seres humanos, mais cadeados precisam colocar em suas portas. Que evolução é essa? Estamos num processo de evolução ou degeneração? Veja o contraste entre o que ensinam os homens e o que vem da Palavra de Deus. A teoria da evolução indica que surgimos de forma natural, dentro de processos muito primitivos. A partir daí, a vida humana começou a se desenvolver de formas primarias até formas superiores, como as que temos hoje. Já a Revelação indica que fomos criados em nosso máximo potencial, de forma perfeita e pela mão de Deus, nosso Criador. Mas, com a entrada do pecado, começamos um processo de degeneração, alcançando nossos níveis mais baixos, até o fim da história, quando Cristo voltará para nos levar de volta ao estado original. São visões totalmente contrastantes. Na primeira, a ação humana e natural está no comando. O homem é quem dirige os processos. Em outras palavras, nossa vida está completamente em nossas mãos. E para onde estamos indo com o completo controle da vida em nossas mãos? O que está acontecendo com o mundo? A outra mostra Deus no comando. Ele nos fez e dEle dependemos para viver e decidir. Sua vontade é que nos mostra o caminho para nos desenvolvermos e ser felizes. Qual é sua visão, de Abel ou Caim?

Visão literal ou simbólica?
O mais preocupante, porém, são as consequências de uma visão bíblica literal ou simbólica. Para os que têm a visão de Caim, o relato dos primeiros capítulos de Gênesis não tem autoridade. Contém apenas uma mensagem ilustrada ou alegórica. Naturalmente, essa visão acaba se expandindo para toda a Bíblia e, com isso, qualquer pessoa pode escolher, de acordo com seu gosto, o que é simbólico ou literal. A Revelação passa a ser um simples brinquedo nas mãos humanas. Por essa razão, existem tantas crenças, polêmicas, diferenças religiosas e contradições entre os próprios cristãos. Além disso, a visão alegórica de Caim, sobre o Gênesis, destrói verdades fundamentais de nossa fé. O casamento, estabelecido por Deus entre um homem e uma mulher, perde sua razão. A família passa a ser um passatempo e o homossexualismo se torna aceitável. O sábado perde seu papel como memorial da criação. Se não houve criação em seis dias literais, significa que ele também não foi dado por Deus no Éden. Sendo assim, passa a ser apenas opcional e pertencente ao povo judeu. A existência de Satanás e do pecado se torna apenas uma história destinada a amedrontar ou manipular as pessoas. Como consequência, se não existe Satanás nem pecado, também não há necessidade do sacrifício expiatório de Cristo na cruz. Todo o plano da salvação perde sua função. Sendo assim, por que Jesus deveria voltar para nos recriar em uma nova Terra sem pecado?
Como você vê, a visão dos primeiros capítulos de Gênesis pela ótica de Caim abala as verdades bíblicas fundamentais, especialmente o plano da salvação. Mais ainda, anula nossa identidade. Somos adventistas do sétimo dia e levamos em nosso DNA o sábado e a vinda de Jesus. Se não cremos na literalidade dos primeiros capítulos da Bíblia, por que estabelecer um memorial para algo que não existe? O sábado passa a ser um simples dia de descanso e relacionamentos sociais. Se estamos evoluindo para uma raça superior, por que a necessidade da segunda vinda de Cristo?
Mantenhamos a posição de Abel e permaneçamos fiéis à pura revelação da Palavra de Deus.


Erton Köhler é presidente da Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia

sexta-feira, 1 de julho de 2011

[ARTIGO] Respeito e Liberdade

Uma das marcas que caracterizam a Igreja Adventista do Sétimo Dia é sua permanente defesa da liberdade religiosa e de expressão. Levantamos essa bandeira não apenas pensando em defender nossos direitos de crer, pregar e viver nossa fé, mas porque entendemos que toda crença religiosa merece respeito e liberdade. Cada ser humano precisa ter o direito de se expressar, de ouvir diferentes pontos de vista sobre quaisquer temas, incluindo religiosos, e então tomar suas próprias decisões.


Mantemos viva essa visão porque ela é a própria expressão da vontade de Deus. Ele a confirmou ao dar ao ser humano a liberdade de escolher entre o bem e o mal. Tem sido assim desde o Éden. Deus respeita as decisões e expressões humanas, mesmo que imperfeitas ou manchadas pelo pecado. Se essa é a atitude de Deus, não deveria ser também a nossa?

Com frequência, essa atitude tem um preço muito alto. Muitas vezes, sofremos oposição de outros movimentos religiosos que creem diferentemente de nós. Mas essa é a natureza da liberdade de expressão. Mesmo que nos sintamos desconfortáveis, nós os respeitamos e entendemos que eles têm o direito de pensar de outro modo. Em outras situações, nos tornamos alvo do preconceito de meios de comunicação que não entendem nossa mensagem ou estilo de vida. É o preço da liberdade. Mas ele se torna administrável quando usado com respeito.

Em situações mais extremas, muitos de nossos membros sofrem penalidades, como a perda do emprego ou danos escolares e acadêmicos, por sua fidelidade ao sábado. Em tais circunstâncias, sempre lutamos por liberdade para exercer nossa fé sem tirar a liberdade dos outros nem obrigá-los a pensar como nós. Desse modo, demonstramos respeito pela diversidade, ao mesmo tempo em que destacamos a luta pela liberdade.

Temos posições teológicas diferentes das de outras denominações e nunca usamos nenhum meio que obrigue as pessoas a crer em nós ou mesmo a nos aceitar. Pregamos o evangelho bíblico, levando as pessoas à Bíblia e convidando-as a seguir as orientações sagradas juntamente conosco, por meio do batismo. Aceitamos tanto decisões positivas quanto negativas e nunca deixamos de nos relacionar com as pessoas e orar por elas, mesmo que não decidam se unir a nós. Aliás, os números indicam que, em média, de cada cinco pessoas que estudam a Bíblia conosco, apenas uma é batizada. Isso significa respeito pela opinião pessoal e liberdade de escolha.

Nossas normas de procedimento estão descritas no Manual da Igreja e também nos regulamentos de nossa instituição. Apenas solicitamos àqueles que se unem voluntariamente a nós como membros ou servidores, que respeitem nossa visão bíblica, postura e estilo de vida. Por outro lado, não podemos aceitar imposições que nos obriguem a crer, aceitar, defender ou nos calar diante daquilo que entra em conflito com a Bíblia. Essas imposições anulam a liberdade de crença e a de expressão, o que constitui um direito pleno de qualquer cristão e cidadão. Atitudes dessa natureza nos sugerem o princípio de outras imposições de crença e religião, ou mesmo a retirada de liberdades. Não podemos apoiar movimentos assim. O conselho inspirado nos orienta a “lavrar o mais eficaz protesto contra medidas tendentes a restringir a liberdade de consciência” (Ellen G. White, Testemunhos Seletos, v. 2, p. 152).

Um dos exemplos mais claros e atuais pode ser visto no projeto de lei 122/2006, que tramita no Senado brasileiro, o qual trata da atitude dos cidadãos em relação ao homossexualismo. Segundo o projeto, qualquer expressão contrária ao tema ou mesmo a não aceitação de tal prática passa a ser vista como “homofobia”, um ato criminoso. Em outras palavras, o projeto obriga a sociedade a apoiar ou se calar diante do homossexualismo.

Temos uma visão bíblica muito clara sobre o assunto, e nossa igreja não pode abrir mão dela (Gn 1:27; 2:24; Lv 20:7-21; Rm 1:24-27; 1Co 6:9-11). Respeitamos qualquer pessoa, bem como qualquer decisão que ela venha a tomar. Afinal, todos são livres para agir assim diante de Deus e das leis do país, desde que essas leis não imponham sobre outros a mesma visão. Precisamos reforçar os conceitos de respeito e liberdade, pois eles são atributos fundamentais de Deus, manifestados por Cristo e demonstrados na cruz.

Se alguém se considera homossexual, por decisão pessoal, ou mesmo que justifique sua condição dizendo ter nascido assim ou ser fruto da influência familiar, precisamos respeitá-lo. Se a decisão é consciente ou consequente, precisamos tratar essa pessoa com respeito, mesmo que biblicamente não possamos concordar com ela. Discordar não significa desrespeitar. Discordamos da situação ou da ação, mas respeitamos a pessoa envolvida. Essa é a postura correta para um cristão, a qual é compatível com o caráter de Deus.

Respeitar o ser humano não significa apoiar qualquer decisão, ato ou orientação sexual que esteja em desarmonia com a criação, a família e as orientações de Deus. Precisamos preservar nossa mensagem, nossa igreja e nossos membros. Também nos cumpre preservar nossas escolas, colégios de internato e universidades como um lugar adequado para as pessoas que optaram por viver de acordo com a orientação bíblica. Buscamos respeito e liberdade para expressar com equilíbrio e amor a vontade de Deus em relação a todos os temas, incluindo o homossexualismo. Precisamos de respeito e liberdade para seguir a orientação bíblica quanto àqueles que serão membros de nossas igrejas. Afinal, a igreja é um ambiente voluntário no qual se reúnem pessoas que têm a mesma crença. Queremos ser respeitados e ter a liberdade de contratar servidores que creiam e vivam como nós.

Liberdade e respeito são uma via de mão dupla. Por isso, ao buscarmos liberdade nos comprometemos a usá-la sempre com respeito a qualquer crença, pessoa ou opção. Mas não podemos aceitar nenhum tipo de imposição que venha a calar a Palavra de Deus ou os que a pregam e seguem. Por isso, cumpre-nos ser claros ao nos posicionarmos contra atitudes que privem a liberdade de consciência e expressão em termos religiosos ou que tenham efeito sobre a fé. Não vamos promover movimentos públicos para isso, mas, sempre que for possível, devemos destacar nossa posição.

A verdadeira liberdade é a que preserva conceitos, crenças e fé, mas ao mesmo tempo defende o respeito à vida, à integridade e à opinião. Por isso, diante dos fatos debatidos ultimamente em todo o Brasil, como eco das discussões abertas pelo Senado Federal, defendamos o respeito e a liberdade, sendo contrários à imposição de conceitos e opções pessoais ou sexuais sobre todo o país. Por outro lado, oremos para que esse debate aprofunde o conhecimento e a fé dos nossos membros, além de chamar a atenção de pessoas sinceras para a verdade. Afinal, “toda polêmica, toda crítica, todo esforço para restringir a liberdade de consciência é um instrumento de Deus para despertar as mentes que, do contrário, ficariam sonolentas” (Ellen G. White, O Maior Discurso de Cristo, p. 33).


Erton Köhler é presidente da Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia.


Homossexualidade
A Igreja Adventista reconhece que cada ser humano é precioso à vista de Deus. Por isso, buscamos ministrar a todos os homens e mulheres no espírito de Jesus. Cremos também que, pela graça de Deus e com o apoio da comunidade da fé, uma pessoa pode viver em harmonia com os princípios da Palavra de Deus.

Os adventistas creem que a intimidade sexual é apropriada unicamente no relacionamento conjugal entre homem e mulher. Esse foi o desígnio estabelecido por Deus na criação. As Escrituras declaram: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gn 2:24). Esse padrão heterossexual é confirmado em todas as Escrituras. A Bíblia não faz ajustes para incluir atividades ou relacionamentos homossexuais. Os atos sexuais praticados fora do círculo do casamento heterossexual estão proibidos (Lv 20:7-21; Rm 1:24-27; 1Co 6:9-11). Jesus Cristo reafirmou o propósito da criação divina quando disse: “Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? [...] Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt 19:4-6). Por esse motivo, os adventistas opõem-se às práticas e relacionamentos homossexuais.

Os adventistas empenham-se por seguir a instrução e o exemplo de Jesus. Ele afirmou a dignidade de todos os seres humanos e estendeu a mão compassivamente a todas as pessoas e famílias que sofriam a consequência do pecado. Desenvolveu um ministério solícito e proferiu palavras de conforto às pessoas que enfrentavam dificuldades. Mas fez distinção entre Seu amor pelos pecadores e Seus claros ensinos sobre as práticas pecaminosas. – Declarações da Igreja (Casa Publicadora Brasileira: Tatuí, SP, 2003), p. 51.

Essa declaração foi votada em 3 de outubro de 1999, durante o Concílio Anual da Comissão Executiva da Associação Geral realizado em Silver Spring, Maryland.